O uso intensivo de antiparasitários em ovinos tem se tornado preocupante, porque, mesmo que exista grande eliminação dos parasitas susceptíveis após o tratamento, ocorrerá forte pressão seletiva e haverá sobrevivência de vermes resistentes aos medicamentos.
A raça Santa Inês vem se destacando na criação no Sudeste do Brasil por ser rústica e mais tolerante a verminoses, devido a esses fatores a alimentação tem sido negligenciada, o que ocasiona pouca exploração na característica que se julgam importantes em termos zootécnicos. Sendo que animais mal alimentados apresentarão menor capacidade imunológica para reagir às infecções por nematóides gastrintestinais.
Haemonchus contortus é um helminto que pertence à superfamília Trichostrongyloidea Ele é um parasita hematófago, ou seja, alimenta-se de sangue, e localiza-se no abomaso dos ovinos, onde se desenvolve e se reproduz. Para se ter idéia da sua capacidade espoliante, um animal que está sendo parasitado por cerca de 2.000 indivíduos, por exemplo, sofrerá perda diária de 100 mL de sangue, o que provocará forte anemia em curto período de tempo. O grau de infecção dos ovinos pode ser calculado de acordo com o número de nematóides presentes.
| Carga parasitária | Infecção |
| Menor que 500 | Leve |
| De 500 a 1500 | Moderada |
| De 1501 a 3000 | Pesada |
| Maior que 3000 | Fatal |
Fonte: Ueno & Gonçalves (1998).
Estima-se que cada fêmea produza de 5.000 a 10.000 ovos por dia. O diagnóstico da infecção normalmente é feito por meio do exame de fezes, no qual ovos com menos de 85 mm e com aspecto multicelular podem ser observados.
O Método Famacha tem como vantagem mais significativa a diminuição de tratamentos de vermes nos ovinos e auxilia na diminuição do desenvolvimento da resistência a antihelmínticos. Ele objetiva vermifugar somente os animais do rebanho que apresentam anemia, facilmente visualizada na mucosa ocular dos ovinos
Após vários anos de pesquisa na África do Sul, estabeleceu-se correlação entre a coloração da conjuntiva ocular de pequenos ruminantes e cinco intervalos de anemia indicados pelo exame de sangue, que mede a porcentagem de células vermelhas (Van Wyk et al., 1997; Kaplan et al., 2004).
Este exame, chamado de hematócrito, é o método rotineiramente usado como indicador de saúde animal. Cinco graus de coloração, ilustrados em um cartão, direcionam a vermifugação dos animais. Os graus 1 e 2 são de animais com coloração bem vermelha, ou seja, praticamente sem traços de anemia. No grau 3, já é indicada a vermifugação. Nos graus 4 e 5, a vermifugação é imprescindível,pois a mucosa apresenta palidez intensa, além do fato de que no grau 5 é indicado que o animal receba suplementação alimentar, de acordo com a tabela:
| Grau Famacha | Coloração | Hematócrito | Atitude Clínica |
| 1 | Vermelho robusto | Maior que 27 | Não Tratar |
| 2 | Vermelho róseo | De 23 a 27 | Não Tratar |
| 3 | Rosa | De 18 a 22 | Tratar |
| 4 | Rosa pálido | De 13 a 17 | Tratar |
| 5 | Branco | Menor que 13 | Tratar |
Fonte: Tradução e adaptação de Molento & Severo (2004).
Para a verificação da cor da mucosa ocular, o examinador deve expor a conjuntiva, pressionando a pálpebra superior com um dedo polegar e abaixar a pálpebra inferior com o outro (foto da capa). Deve-se evitar a exposição parcial da membrana interna da pálpebra (terceira pálpebra) e do olho. O ideal é observar a coloração na parte mediana da conjuntiva inferior, comparando-a com as cores do cartão Famacha
A avaliação dos animais devem ser feitas da seguinte maneira: época das chuvas, avaliar os animais a cada 10 dias e nas secas, a cada 20 a 30 dias. O método Famachaã deve ser utilizado quando o principal parasita do rebanho for H. contortus, ou seja, quando ele representar pelo menos 60% da carga parasitária dos animais. Para este fim, o produtor deve fazer o levantamento dos mais freqüentes em sua propriedade com a ajuda de um profissional responsável ou enviando amostras de fezes coletadas diretamente da ampola retal dos animais para um laboratório especializado.
Uma boa alimentação e a vermifugação dos animais de acordo com o método Famacha, vai permitir um maoir controle de verminoses nas fazendas criadoras de ovinos.
Fontes: CHAGAR, A. C. S.; OLIVEIRA, M. C. S.; CARVALHO, C. O.; MOLENTO, M. B.; Circular Técnica 52. São Paulo, 2007.